quarta-feira, 13 de junho de 2012


Olá, para todos,

Datas, tempos, anos... Há alguns momentos em nossa vida que nos são mais marcantes, que parecem ser gravados em nosso perispírito com mais profundidade: o primeiro brinquedo, os primeiros dias em que recordamos da nossa existência, mãe, pai, irmãos, escola...

Esta blogagem remeter-nos-á até o ano de 1982, um desses anos que marcam a gente... E comigo não foi diferente.

Reiniciava os estudos primários – antiga 2ª série e lembro-me de que, logo no começo do ano eclodiu a malfadada GUERRA DAS MALVINAS, uma disputa imbecil entre uma ditadura sangrenta – e igualmente imbecil - e uma coroa imperialista, não obstante eu gostar das duas nações, mas que, como sempre, seus governos deixam a desejar.

Via e ouvia alguns aviões militares – para cá e para lá – fazendo “manobras” em nosso céu. É interessante notar o papel do Brasil no episódio, pois é de sobejo conhecimento de todos a RIVALIDADE das ditaduras brasileira e Argentina (exceto quando se tratava de torturar e/ou matar/sumir com os chamados “subversivos”. Basta vermos a chamada “Operação Condor”...)e do histórico alinhamento brasileiro com os EUA, que obviamente sempre foram alinhados à Inglaterra... Que dúvida cruel, não?...

Bola adidas, da Copa de 1982: Linda.

Lembrando sempre que, também vivíamos ainda sob a chamada “Guerra Fria” entre os stalinistas, representados por aquele monstrengo da URSS e os velhos capitalistas de sempre – EUA, e suas respectivas esferas de influência, seus “satélites”, ou suas colônias, que sempre foram exploradas, tanto de um lado como de outro. Tempos difíceis aqueles, de hiperinflação (os mais novos não lembram mesmo) e de dificuldades, para muitos.

Como eu era muito criança não ligava muito para tudo isso, não. Meu lance mesmo era empinar quadrado, jogar bola e ficar na rua o dia inteiro (eu e os nossos cachorros... Principalmente o Totó... Aliás, não sei quem mais ficava na rua, se era eu, ou ele...).

Tinha os meus amigos que me acompanhavam: Maurício e, de vez em quando o Jayson (acho que é assim) e, claro, o Fernando, que desencarnou recentemente, vítima de acidente automobilístico.

Assistíamos ao futebol na “Rede Record” (em preto e branco. Não tínhamos TV em cores aqui em casa, na época), eu e o Anselmo, à noite, naquelas transmissões do Silvio Luiz, que tirava barato de tudo – principalmente quando o jogo era na Vila Belmiro, onde havia uma casa, atrás do gol do lado direito da tela, e o Silvio Luiz ficava “conversando” com os moradores de lá...

Depois, de dia, conversávamos, todos nós, sobre o jogo da noite passada e das piadas do Silvio Luiz. BONS TEMPOS!!!...

Eis aí o clima para a Copa do Mundo que se aproximava... A COPA DO MUNDO DA ESPANHA – 1982!!!.

Logo da Copa

Época também de colecionarmos figurinhas... “Bater figurinhas” na escola, com o Gilberto (este virava 500 fácil, fácil). De vez em quando, comprávamos o chiclete PING PONG (era caro, viu?), onde saíam as figurinhas dos jogadores... Uma verdadeira COQUELUCHE na escola (muito, mas MUITO diferente de hoje em dia...).

Mascote: O Edmur tinha um pendurado no espelho do Fuscão...

13 de junho de 1982. 13 de junho de 2012: Há 30 anos começava a Copa da Espanha. O jogo: Argentina – atual campeã, versus Bélgica. Fazia sol, lá no jogo e aqui também. A Argentina perdeu por 1 a 0, gol de “Van Der Bergh”.

Alguma coisa sempre me dizia que eu DEVERIA TORCER, além, claro, para o Brasil, mas também, na falta deste ou paralelamente, para os países sul-americanos, e para os países do Leste Europeu: Iugoslávia, URSS, Hungria, Polônia, etc. Depois de muito tempo eu percebi que, na verdade, isto tudo estava dentro de mim, já durante meu engajamento na Política (não esta que se pratica por aí...)... Com “P” maiúsculo, a única que vale a pena...

Tive a oportunidade de acompanhar a Copa inteira, pois estudava pela manhã, e os jogos eram transmitidos, pela Globo, à tarde - que, para variar, tinha o monopólio exclusivo das transmissões.

Álbum de figurinhas que colecionei: capa e contracapa.

Vi jogos e seleções MEMORÁVEIS: França X Inglaterra, Polônia X Inglaterra, França X Alemanha, na semifinal (talvez, um dos mais emocionantes que vi, em toda a minha vida). Até a Áustria, que tinha e tem tanta tradição em Copas do Mundo quanto um timinho aí, da marginal sem número, tem na Copa Libertadores – ZERO – tinha um timaço e, só não foi mais longe porque “pegou” adversários de peso pelo caminho, como a França, que tinha “só” PLATINI (e TIGANÁ) e fez um jogo ÉPICO (não custa repetir!) contra a Alemanha nas semifinais: 3 x 3, com direito à prorrogação sofrida e 5 x 4 nos pênaltis, para a Alemanha, onde SCHUMACHER pegou até pensamento e RUMMENIGGE jogou até “gastar” e levou a Alemanha às finais; outra que “deu trabalho” também foi a Polônia, com seu mega-artilheiro BONIEK, que parou nas semifinais, frente à Azurra; e, claro, TODOS OS DO BRASIL.



As duas primeiras páginas do álbum...


Foi uma Copa – e a ÚLTIMA - onde o nível técnico das Seleções era muito parecido e ALTO (hoje é parecido e BAIXÍSSIMO), tanto é verdade que, apesar da TRAGÉDIA DE SARRIÁ, a Azurra TINHA UM TIMAÇO, um amontoado de craques, que, não só superou a melhor – O BRASIL - , mas também outra, a ALEMANHA, na final, num jogo ÉPICO...


Todos os que eram regularmente convocados... Mas nem todos foram à Espanha...

Destaque, claro, para a maior goleada da História das Copas: Hungria 10 x 1 El Salvador. A histórica seleção húngara massacra os debutantes caribenhos...

O Brasil chegou como franco favorito para esta Copa. Também, pudera: Havíamos vencido, na preparação, adversários como a URSS (que sempre formou timaços, mas SEMPRE FOI ROUBADA NAS COPAS), Alemanha, Inglaterra (dentro de Wembley, pela primeira vez).

"Folder" promocional da Copa.

Foi, também, talvez, a ÚLTIMA “SAFRA” de craques (CRAQUES, MESMO, não são como alguns se denominam, ou que a mídia gosta de endeusar, nos nossos dias) que o Brasil produziu. Uma seleção que tinha não um “banco de reservas”, mas, sim, um “SOFÁ”: Falcão, Roberto Dinamite, Renato “pé murcho”, Dirceu, Batista... Imaginem vocês, que não viram este time, os titulares: Zico, Sócrates, Leandro, Júnior, Oscar, Eder, Serginho... E ainda deu-se ao luxo de deixar outros por aqui: Leão, Luís Pereira (em fim de carreira, mas jogava muito, ainda), Jorginho, Dicá, Zenon, Careca, Perivaldo, Baltazar, Pedrinho, Caçapava, e outros... Difícil, jogar bola, nesta época?...

A "atual campeã" Argentina, com Mario Kempes, que foi cortado para a Espanha.

Nos jogos do Brasil, havia uma grande expectativa, portanto, em torno do título, sempre atiçada pela Globo, que, para variar, desconsiderava e subestimava o “outro lado”, no seu já conhecido ufanismo (depois veio as Diretas, que a Globo NÃO ENTROU, de início, dado o seu compromisso com a ditadura dos generais e a “morte” do Tancredo, que virou SANTO, da noite para o dia).

O futebol que se praticava, em todo o mundo, era de ALTA QUALIDADE, com algumas diferenças técnicas e táticas entre as seleções. É evidente que o Brasil sempre entrará em qualquer campeonato de futebol como franco favorito, mas, em 1982, tínhamos a certeza de que isso ocorreria, diferente de hoje em dia, que ficamos sempre com aquela impressão: “Será?”, “Acho que vai dar...”. Não. Não tínhamos este “acho”, em 1982.

Dá para vocês, que não viram a Copa, imaginarem o que significa, para nós, que a vivenciamos, A TRAGÉDIA DE SARRIÁ? Aquele “terceiro gol de PAOLO ROSSI PARA A ITÁLIA”, narrado por Luciano do Valle, naquela tarde de domingo, 5 de julho de 1982? Só comparada com a final da Copa de 1950, para vocês terem uma ideia...

O baita time da Itália, campeã de 1982.

Não. Não era um fenômeno de mídia, como hoje em dia. Não era. O Brasil SABIA JOGAR, com classe, futebol de primeira, dava show e ganhava os jogos.

O primeiro jogo foi contra a URSS, que saiu na frente, com um FRANGO do Valdir Peres e FOI ROUBADA pela arbitragem, isto é certo, com um gol mal anulado e, pelo menos DOIS PÊNALTIS não marcados... Mas o Brasil acabou virando o jogo, com Sócrates, numa cacetada de fora da área e, no finalzinho do jogo, com Eder, em outra cacetada, no ângulo de Dassayev (O MELHOR GOLEIRO QUE VI JOGAR... Pegava até vento...). Este jogo, aliás, assisti aqui na minha vizinha, com seu pai (“Seu” Souza) e meu pai, que estava passando alguns dias aqui em casa, longe do hospital, na época.

A União Soviética e seu timaço: destaque para Dassaev, o melhor goleiro que vi jogar...

Fomos para o segundo jogo, contra os bêbados (brincadeirinha!!!) da Escócia: Saímos perdendo, novamente, depois de um outro FRANGO de Valdir Peres; mas, aí a máquina de craques do Brasil virou o jogo: 4 x 1!!!, com show de Zico, Falcão, Júnior e cia. Ltda.

Depois, veio o jogo contra a NOVA ZELÂNDIA, debutante em Copas do Mundo: Outro show, com direito a gol de bicicleta de Zico e tudo: 4 x 0.

Saíamos gritando feitos loucos, todos nós, nas ruas.

Com o passar do tempo, esta certeza que dissemos alhures só crescia. Futebol de “encher os olhos” do mundo.

Passada a fase de grupos, fomos para a segunda fase, em primeiro lugar. O sistema de disputa era diferente do que temos hoje: fazia-se uma triangular (novo grupo) entre o primeiro de um grupo, o segundo de outro e o terceiro melhor colocado de outro: na seqüência: Brasil, Argentina e a Itália, esta última o grande “azarão” da segunda fase, já que se classificou na “bacia das almas”, com TRÊS EMPATES na primeira fase, com um gol salvador, no último minuto, contra o “esquadrão” de Camarões: 1 x 1.

Jogaram, entre si, então estes três: no primeiro jogo do grupo, o Brasil – fora o show – despachou a Argentina: 3 x 1, no estádio de Sarriá – Barcelona. É preciso dizer que a Argentina, além de ser a atual campeã do mundo, tinha também um timaço: Fillol, Maradona, Ramón Diaz, Ardiles, etc.

Já no segundo jogo, a Itália derrotou, também, a Argentina: 2 x 0. A decisão, então, para quem passaria à próxima fase ficou entre Brasil e Itália, com o Brasil levando a vantagem, no número de gols marcados.

Tudo preparado, tudo ajeitado, então, iríamos enfrentar o chamado “azarão” Azurra.

A Azurra prepara-se mais uma vez...

O jogo, também, foi um dos mais emocionantes. Um jogaço de futebol. Duas seleções de craques, mesmo, como vocês poderão ver aí no “youtube”...

Era o fim do FUTEBOL ARTE, quando, a preparação – principalmente psicológica e física – ganharam destaque nas competições: não valia apenas ter técnica, mas, acima de tudo, PREPARO. E é isso que vemos hoje em dia: além deste PREPARO, outros tipos de “preparo”: ajuda de arbitragem - toda ela comprometida e corrompida, porque o futebol deixou de ser apenas um espetáculo desportivo, que se ouvia preferencialmente pelo rádio, para virar pirotecnia e carro-chefe de audiência da televisão – vide Corinthians, Flamengo, etc., com muita grana e interesses outros rolando nos bastidores.

O que restou foi apenas o sonho – e por que não, a lição de ver a melhor seleção – senão a melhor de todos os tempos – não vencer.

Fica aí a dica para todos vocês, que não tiveram a oportunidade de ver tudo isso e que, algum dia, jogou-se futebol no Brasil... Há exatamente 30 anos atrás...

O Estádio – de Sarriá – , em Barcelona, não existe mais. Foi demolido. Ainda bem. Mas, a Seleção de 1982 jamais sairá de nossas retinas. E, evidentemente, quem a viu, na época, sempre será um cético e um crítico contumaz do atual estágio em que se encontra o futebol brasileiro, sob todos os aspectos... Haja saco, com o perdão da palavra, para agüentar...

Local da tragédia: Estádio de Sarriá, onde também o Brasil "deu um baile na Argentina...

Até o meu Palmeiras, que, na época, estava no auge da chamada “fila”, que formava equipes tão tenebrosas quanto ela mesma, sempre pessimamente mal administrado, cheio de brigas internas (isto é de loooooooooonga data!...) era melhor que qualquer time de hoje em dia. Disparado.

Brasil: Valdir Peres, Oscar, Leandro Luisinho, Paulo Isidoro, Júnior, Batista Sócrates, Serginho, Zico e Eder. Técnico: Telê Santana.



Att,

Alex.

Ps.: Pessoal, fiquem de olho na turma da tal "Rio+20". Vamos ver quem é quem nesta parada. Aliás, já há um forte movimento para a volta das terríveis sacolinhas aos supermercados. Parte de onde? Guarulhos (tinha que ser...). Lamentável.

sábado, 2 de junho de 2012

“VOCÊ PENSA QUE EU SOU LOKI, BICHO? SOU MALANDRO VELHO, E NÃO TENHO NADA COM ISSO!"”

Boa noite a todos,

Um pouco atrasada, mas em tempo, esta blogagem vem trazer o show de ARNALDO BAPTISTA no TEATRO MUNICIPAL DE SÃO PAULO (teatro maravilhoso!!!), no dia 5 de maio, passado (dia em que minha mãe completaria 71 anos).


O Teatro Municipal de São Paulo, em seu saguão principal...

Bem, começou com a verdadeira EPOPEIA para conseguirmos ingressos porque, tudo o que diz respeito à Cultura, em nosso país, por razões óbvias, é bem BAGUNÇADO, mesmo, pelo menos no que toca à responsabilidade do Poder Público e daqueles que detêm o poder. Aliás, até o caráter ENTUSIASTA da chamada VIRADA CULTURAL tem lá o seu viés “pirotécnico”.

A Cultura mesmo, como INSTRUMENTO de autoconhecimento e consequente TRANSFORMAÇÃO INTERIOR E SOCIAL fica LONGE, MAS MUITO LONGE disso tudo. Mas, para um povo que praticamente desconhece e quase não tem acesso à Cultura, até que a tal VIRADA CULTURAL serve para alguma coisa...

Não. Não me recriminem por “criticar” este evento que é quase uma unanimidade (mas, lembrem-se: toda unanimidade é burra!).

É que o objetivo destes eventos pirotécnicos é mesmo de mero entretenimento, o que, evidentemente nada tem a ver com Cultura, em sua expressão mais concreta.

Imaginem vocês que, quando Hitler chegou (pelo voto...) ao poder, na Alemanha, não teve como preocupação primeira, digamos, arrasar com as “raças impuras”, mas sim, ESMAGAR TODAS AS MANIFESTAÇÕES CULTURAIS, tanto de seu país, quanto dos outros, pilhando obras de arte (e não apenas porque eram “bonitinhas” ou valiosas, financeiramente).

A partir da escadaria, naquela noite memorável...

Dá para percebermos, então, por aí que CULTURA DEMAIS É MUITO PERIGOSO PARA OS PODERES CONSTITUÍDOS, quaisquer sejam eles.

Então, de repente, às vezes a gente BRINCA DE CULTURA: “Panis et circenses”, com sempre... E, aliás, é justamente do que vamos falar... Não de pão e circo, mas, de um dos precursores do Tropicalismo e - por que não? - do rock nacional...

Falar de Arnaldo Baptista aqui é como se estivéssemos falando de um Paul Mc Cartney, de um George Harrison, por exemplo. É “chover no molhado”. Os Mutantes merecerão, em breve, uma blogagem ESPECIALÍSSIMA, como já havíamos prometido, assim como os Beatles estão sendo tratados por este blog.

Trabalho do Arnaldo, no telão, antes do início do espetáculo.
 Mas, o que queremos, com esta blogagem, é expressar o nosso contentamento e o nosso júbilo por ter tido a oportunidade de vê-lo tocar e cantar, depois de tudo o que ele passou. Estávamos, eu e minha esposa, EM ESTADO DE GRAÇA.

No telão, imagens psicodélicas abrilhantavam ainda mais nosso grande Arnaldo...

Bastava, para nós, ali estar, para impulsionar tudo de bom para o nosso querido Arnaldo.

Evidentemente foi uma noite inesquecível e VALEU CADA MINUTO das QUATRO HORAS que minha esposa ficou na fila para conseguir os ingressos.

FORÇA, ARNALDO!!! ESTAMOS COM VOCÊ!!!

Continue assim, alegrando a todos nós, com seu brilhantismo e sua genialidade, pois a Arte, a música precisam cada vez mais de gente assim, como você, que jamais traiu seus princípios, o que pensa e quer para o mundo e jamais teve vergonha de expressar-se desta maneira...

Quem quiser mais informações sobre o Arnaldo Baptista, comprem ou aluguem o filme “LOKI”. É baratíssimo, e vocês não vão se arrepender. Tenho certeza!

Fica aqui, então, a sugestão de hoje.

Chegada triunfante ao Teatro...

Minha querida esposa e companheira...

Att,
Alex


PS. Agora em junho estaremos comemorando DUAS DATAS MARCANTES: o aniversário de 70 anos de Paul McCartney (18 de junho) e os 30 anos da Copa do Mundo de 1982 (13 de junho), na Espanha, quando ainda se praticava futebol de qualidade (que saudade!!!), que merecerão destaque por este blog 

quinta-feira, 17 de maio de 2012

(TODOS OS) DIAS DAS MÃES

Boa noite, meus amigos,

Fazendo uma pausa em nossa peregrinação Beatlemaníaca, vamos falar um pouco sobre o tal "dia das mães" (OU, DIA DISTO OU DAQUILO).

Já conversamos outrora, sobre estas datas "festivas" que o sistema em que vivemos arranja para dar um "up" no comércio. Assim temos o "dia dos pais", "das mães", "dos namorados" (que se avizinha, pelo menos aqui no Brasil) e assim por diante.

Muito bem. Trago-lhes, no entanto, uma mensagem de um companheiro espiritual, para que possamos refletir seriamente em nosso papel de pais. Prestem atenção e uma ótima semana.

Att,

Alex.


RESPOSTA DO ALÉM

         Minha irmã: Valho-me do “correio do outro mundo” para responder à sua carta, cheia da sensibilidade do seu coração de mulher.

         Pede-me a senhora o concurso de espírito desencarnado para a solução de problemas domésticos no setor de educação aos filhinhos que Deus lhe confiou. Conforta-me, sobremaneira, a sua generosidade; entretanto, minha amiga, a opinião dos mortos, esclarecidos na realidade que lhes constitui o novo ambiente, será sempre muito diversa do conceito geral.

         A verdade que o túmulo nos fornece renova quase todos os preceitos do conceito geral.

         Aí no mundo, entrajados no velho manto das fantasias, raros pais conseguem fugir à cegueira do sangue. De orientadores positivos, que deveríamos ser, passamos à condição de servidores menos dignos dos filhos que a Providência nos entrega, por algum tempo, ao carinho e ao cuidado.

         Na Europa, trabalhada pelo sofrimento, existem coletividades que já se acautelam contra os perigos da inconsciência da educação infantil entre mimos e caprichos satisfeitos. Conhecemos, por exemplo, um rifão inglês que recomenda:  - “poupa a vara e estraga a criança”. Mas, na América, geralmente, poupamos os defeitos da criança, para que o jovem nos deite a vara logo que possa vestir-se sem nós. Naturalmente que os britânicos não são pais desnaturados, nem monstros que atormentem os meninos na calada da noite, mas compreenderam, antes de nós, que o amor, para educar, não prescinde da energia e que a ternura, por mais valiosa, não pode dispensar o esclarecimento.

         Dentro do Novo Mundo, e principalmente em nosso país, as crianças são pequeninos e detestáveis senhores do lar que, aos poucos, se transformam em perigosos verdugos. Enchemo-las de brinquedos inúteis e de carinhos prejudiciais, sem a vigilância necessária, diante do futuro incerto. Lembro-me, admirado, do tempo em que se considerava herói o genitor que roubasse um guizo para satisfazer a impertinência de algum pequerrucho traquinas e, muitas vezes, recordo, envergonhado, a veneração sincera com que via certas mães insensatas a se debulharem em pranto pela impossibilidade de adquirir uma grande boneca para a filhinha exigente. A morte, todavia, ensinou-me que tudo isso não passa de loucura do coração.

         É necessário despertar a alegria e acender a luz da felicidade em torno das almas que recomeçam a luta humana, em corpos tenros e, muita vez, enfermiços. Fora tirania doméstica subtrai-las ao sol, ao jardim, à Natureza. Seria crime cerrar-lhes o sorriso gracioso, com os ralhos inoportunos, quando os olhos ingênuos e confiantes nos pedem compreensão. Entretanto, minha amiga, não cogitamos de proporcionar-lhes a alegria construtiva, nem nos preocupamos com a sua felicidade real. Viciamo-las simplesmente.

        Começamos a tarefa ingrata, habituando-lhes a boca às piores palavras de gíria e incentivando-lhes as mãos pequenas à agressividade risonha. Horrorizamo-nos quando alguém nos fala em corrigenda e trabalho. A palmatória e a oficina destinam-se aos filhos alheios. Convertemos o lar, santuário edificante que a Majestade Divina nos confia na Terra, em fortaleza odiosa, dentro da qual ensinamos o menosprezo aos vizinhos e a guerra sistemática aos semelhantes. Satisfazendo-lhes os caprichos, dispomo-nos a esmagar afeições sublimes, ferindo nossos melhores amigos e descendo aos fundos abismos do ridículo e da estupidez. Fiéis às suas descabidas exigências, falhamos em setenta por cento de nossas oportunidades de realização espiritual na existência terrestre. Envelhecemo-nos prematuramente, contraímos dolorosas enfermidades da alma e, quase sempre, só reconhecem alguma coisa de nossa renúncia vazia, quando o matrimônio e a família direta os defrontam, no extenso caminho da vida, dilatando-lhes obrigações e trabalhos. Ainda aí, se a piedade não comparece no quadro de suas concepções renovadas, convertemo-nos em avós escravos e submissos.

         A morte, porém, colhe nossa alma em sua rede infalível para que nos aconselhemos, de novo, com a verdade. Cai-nos a venda dos olhos e observamos que os nossos supostos sacrifícios não representavam senão amargoso engano da personalidade egoística. Nossas longas vigílias e atritos angustiosos eram, apenas, a defesa improfícua de mentiroso sistema de proteção familiar. E, humilhados, vencidos, tentamos debalde o exercício tardio da correção. Absolutamente desamparados de nossa lealdade e de nossa previdência, por se manterem viciados pela nossa indesejável ternura, os filhos de nosso amor rolam, vida afora, aprendendo na aspereza do caminho comum. É que, antes de serem os rebentos temporários de nosso sangue, eram companheiros espirituais no campo da vida infinita e, se voltaram ao internato da reencarnação, é que necessitavam atender ao resgate, junto de nós outros, adquirindo mais luz no entendimento. Não devíamos cercá-los de mimos inúteis, mas de lições proveitosas, preparando-os, em face das exigências da evolução e do aprimoramento, para a vida eterna.

O LAR.

         Desse modo, minha amiga, use os seus recursos educativos compatíveis com o temperamento de cada bebê, encaminhando-lhes o passo, desde cedo, na estrada do trabalho e do bem, da verdade e da compreensão, porque as escolas públicas ou particulares instruem a inteligência, mas não se podem responsabilizar pela edificação do sentimento. Em cada cidade do mundo pode haver um Pestalozzi que coopere na formação do caráter infantil, mas ninguém pode substituir os pais na esfera educativa do coração.

         Se a senhora, porém, não acreditar em minhas palavras, por serem filhas da realidade indisfarçável e dura, exercite exclusivamente o carinho e espere pela lição do futuro, sem se incomodar com os meus conselhos, porque eu também, se ainda estivesse envolvido na carne terrestre e se um amigo do “outro mundo” me viesse trazer os avisos que lhe dou, provavelmente não os aceitaria.
Irmão X
(do livro “Lázaro Redivivo”, psicografia de Francisco Cândido Xavier, p. 66 a 69,4ª ed., ED. FEB, RJ, 1963).

terça-feira, 8 de maio de 2012

FROM ME TO YOU/THANK YOU GIRL


Boa Noite a todos,

Dando seqüência a nossa conversa, o terceiro single lançado pelos Beatles chama-se “FROM ME TO YOU/THANK YOU GIRL”, lançado em 11 de abril de 1963, pela EMI e foi mais um PETARDO nas paradas de sucesso no Reino Unido. Esperaram apenas 3 meses, após o sucesso estrondoso de “Please pease me/Ask me why” e a Beatlemania tomava conta da Inglaterra.


“From me to you” foi escrita no dia 28 de fevereiro de 1963 e vinha da coluna de cartas do NME, como “From you to us”. Foi a primeira e uma das poucas composições em que Paul e John fizeram em conjunto, do início ao fim.

Nos primeiros anos de composição, cada qual vinha com a sua música já praticamente pronta e, vez ou outra, essa composição recebia contribuições dos outros membros da banda, fato esse que foi fundamental para a construção das músicas dos Beatles porque, ao mesmo tempo em que compunham e faziam enorme sucesso, este mesmo sucesso atrapalhava cada vez mais o processo de construção destas mesmas músicas, principalmente a PRESSÃO que sofriam para construir, digamos, NOVOS “NUMBER ONE’S” nas paradas. (Sim, os Beatles também eram pressionados a fazer sucesso...).

Outro fato importante também para a composição é que, para tornarem-se famosos e conhecidos, eles excursionavam muito. Saíram do Cavern Club, em Liverpool, onde havia um público mais adolescente, na hora do almoço, para, de repente, tocarem em Hamburgo, na Alemanha, onde se deparavam com um público mais “sério”, isto é, executivos alemães, em sua maioria. Portanto, realmente não tinham tanto tempo disponível para compor as canções, em conjunto, como sempre se imaginou, quando lemos abaixo das inscrições das músicas, nos LP’S: “Lennon-Mc Cartney”. Aliás, no começo, era mesmo “Mc Cartney-Lennon”, mas John achou que “Lennon-Mc Cartney” soava melhor (segundo disse Paul). E assim ficou para a história.

A primeira execução pública desta música e de seu lado B deu-se um dia após ser composta pela dupla, no “Odeon Cinema” em Southport, Lancashire, onde se apresentaram. Lá tocaram “From me to you” para o pai de Paul, que estava assistindo ao show e pediram a opinião dele sobre ela. Ele aquiesceu, para alívio dos quatro, que tinham uma enorme preocupação quanto à assimilação pelos fãs, já que vinham de um enorme sucesso, no single precedente.

Gravada, então, cinco dias após a composição, ficou fácil, como disse John, para eles conseguirem o que queriam, pois, segundo ele, “...tínhamos decidido não fazer nada muito complicado. Acho que é por isso que muitas vezes temos as palavras ‘you’ e ‘me’ nos títulos das músicas. É o tipo de coisa que ajuda os ouvintes a se identificarem com a letra. Achamos isso muito importante. Os fãs gostam de sentir que fizeram parte do que está sendo feito pelos artistas”.

Detalhe: quase a música não foi gravada, porque eles acharam que ela ficou muito “bluesy” (uma variante de blues), “... mas George Martin adicionou a gaita e ficou tudo ótimo”, disse Paul.

Abril de 1963: “From me to you” arrebentou com as paradas britânicas e selou definitivamente a Beatlemania, não apenas “para inglês ver...” Mas, lançada com o selo “Vee Jay”, nos EUA, não passou do quadragésimo lugar (porque a subsidiária da EMI por lá, a Capitol Records recusava-se a lançar os Beatles no país dos ianques). Aliás, esses singles dos Beatles com o selo da “Vee Jay” também são raríssimos.

Ao mesmo tempo em que isso acontecia, os Beatles iam, também, revolucionando o mercado fonográfico. Explico: os singles lançados, àquela época, apenas traziam o lado A com a música com mais potencial de sucesso e o lado B ficava relegado àquelas músicas que praticamente serviam mesmo para “tampar buraco” (OU LADO!!!).

Com os Beatles, entretanto, foi diferente. Todas as músicas que eles compunham ganhavam relevância e o lado B de seus singles, a despeito de serem “puxados” pelo sucesso do lado A também faziam enorme sucesso. Mais um paradigma mudado pelos rapazes de Liverpool.

“Thank you girl” era para chamar-se, originariamente, “Thank you little girl” e foi escrita no bojo de “Please please me” e “From me to you”. John disse o seguinte, a respeito dela, em 1971: “só uma canção boba que fizemos nas coxas”, e, em 1980 “uma das nossas tentativas de escrever um single, que não funcionou”. Paul, no mesmo diapasão: “Uma canção sem valor... apenas valendo pelo exercício...”.

Mas é muito bonita, e vale a pena escutar. Sempre.

Ah, na próxima blogagem falaremos sobre o show de ARNALDO BAPTISTA, no Teatro Municipal de São Paulo, na VIRADA CULTURAL. Aguardem!!!

FROM ME TO YOU/THANK YOU GIRL 
11 de abril de 1963 - U.K.







Até breve,

Alex.

sábado, 28 de abril de 2012

PLEASE PLEASE ME/ASK ME WHY


Boa noite a todos,

Nesta blogagem iremos falar sobre o 2º single dos Beatles, que é “Please Please me/Ask me why”.

Lançado em 11 de janeiro de 1963, este single define, praticamente, o som da Beatlemania na Inglaterra, já que o seu lado A – “Please Please me” impulsionou as vendas no Reino Unido, chegando ao 2º lugar e realmente “mostrando” os Beatles para o seu país. A partir daí garantiram sua primeira turnê por lá, abrindo os shows de Roy Orbison. Aliás, John escreveu “Please Please me” em seu quarto, no nº 251 da Menlove Avenue, em Liverpool sob inspiração de Orbison, pois ouvia, no momento, o seu single “Only the lonely”. Idealizou-a lenta, mas, George Martin achou melhor “acelerá-la” um pouco e assim ficou gravada para a história.

O fato curioso é que “Please Please me,” apesar de ser uma típica música pop, inaugura aquilo que será recorrente na carreira dos Beatles: os “duplos sentidos” em suas composições.

Os “Beatles-intérpretes” que, lá nos idos de 1967 buscavam esses “significados ocultos” das músicas – principalmente das composições de John – já existiam, então, de longa data. Observavam ali, em “Please Please me”, à época, um conteúdo, digamos, de prazer sexual; outros achavam também, neste sentido, tratar-se de uma apologia ao sexo oral (isto tudo, na época, era mesmo um verdadeiro escândalo, ainda mais nos países mais conservadores, como Inglaterra e EUA).

Em resposta, Paul, em 1967, também pressionado pela opinião pública sobre as supostas referências às drogas em “Sgt. Peppers” declarou: “Se eles quisessem poderiam encontrar diversos duplos sentidos no começo de nosso trabalho. Tudo pode ter duplo sentido, se você realmente procurar”.

A propósito, John disse, numa entrevista, o seguinte: “Estou cansado de ouvir esse blá, blá, blá sobre a música dos Beatles e ‘Sgt. Peppers’, do tipo ‘plante uma bananeira, ouça o disco de trás para frente que você descobrirá seus significados mais profundos’”. E, evidenciando isto escreveu ”Glass Onion”, para os Beatles-intérpretes, quando estava na Índia, música esta que está no Álbum Branco, de 1968.

Gravada, então, nas semanas seguintes à “Love me do” e inspirada também por esta, basta ouvirmos a gaita de John. E, convenhamos, ficou bem melhor do que ele pensou originariamente, isto é, uma música lenta.

Já “Ask me why” foi escrita em 1962 por John e fazia parte do repertório do Cavern Club, das chamadas “lentas” (baladas).

Estava também entre as quatro primeiras músicas que eles levaram para os estúdios de Abbey Road, na primeira gravação deles lá, em 6 de junho de 1962. Mas George Martin achou que ela não tinha “pique” para ser um lado A de um single (lado A do single é aquela música que é considerada a melhor, para puxar o sucesso nas rádios e nas vendas dos singles, assim como as músicas dos lados “As” dos LP´S são as mais importantes até, claro, o advento dos álbuns conceituais).

Então ela foi regravada e lançada como lado B de “Please Please me” e figura, tal como esta última, nas duas últimas canções do lado A do LP “Please Please me”, lançado posteriormente, de que falaremos em breve.

Um forte abraço a todos...

PS. O nosso “querido” Congresso Nacional acaba de aprovar o malfadado Código Florestal, do jeitinho que os chamados “ruralistas” quiseram. Sabe aquelas quartas-feiras, que já falamos por aqui, em outra ocasião? Pois é. Durmam com um barulho destes!!! Cabe, agora, apenas à Presidenta Dilma VETAR esta aberração. Na hipótese do veto presidencial, a matéria volta ao Congresso que poderá derrubar o veto, por maioria absoluta de seus membros. VAMOS FICAR DE OLHO, PESSOAL, pois é o futuro de nosso planeta que está em jogo.

Att,

Alex

PLEASE PLEASE ME/ASK ME WHY

11 de janeiro de 1963 - U.K.



quarta-feira, 18 de abril de 2012

LOVE ME DO/PS. I LOVE YOU

Boa noite a todos,

Atendendo a apelos conscienciais resolvemos incluir os singles dos Beatles nas blogagens, de modo a que todos nós possamos acompanhar, com mais clareza, a seqüência das músicas e dos lançamentos, pois todas as músicas que apenas foram lançadas nos singles são importantíssimas para entendermos melhor a carreira dos Fab Four.

O primeiro single lançado, já com selo Parlophone (EMI), em 5 de outubro de 1962, chama-se “LOVE ME DO/PS. I LOVE YOU”. Alcançou o 17º lugar nas paradas britânicas, tendo uma tiragem de apenas 10.000 exemplares - muitos não foram vendidos e, hoje, são, por assim dizer, “mosca branca de olho azul”, para nós, colecionadores e fãs.

Existem ainda versões desse single com o selo da Decca Records, mais raros ainda e, “piratovskys”, com Ringo (isso mesmo!) nos vocais, cantando Love me do.

Falando em selos, para quem não sabe, quando dizemos “selo” daqui, “selo” de lá, é mesmo a marca da gravadora, estampada no centro do disco de vinil.

Na Inglaterra, o selo dos Beatles vinha com o nome de “Parlophone”, subsidiária da EMI. Portanto, quando nós pegamos essas reedições estereofônicas e monofônicas, em CD e vemos aquele “Parlophone”, remete-se ao original Inglês, de época.

Já nos EUA, que “adulteravam” e “mexiam” nas seqüências das músicas dos LP´S e singles ingleses (originais), por razões puramente comerciais, o selo é da “Capitol Records”, subsidiária da EMI naquele país.

No Brasil, coube à Odeon (e seu capitólio), subsidiária da EMI por aqui, lançar os discos dos Beatles: assim temos a chamada EMI Odeon, primeiramente com seu selo azul-marinho (os primeiros discos dos Beatles no Brasil vinham com este selo).

Após, veio o selo “estrela” “azul”, que foi ostentado nos primeiros discos dos Beatles reeditados, a partir de 1966, pois, como dissemos na blogagem anterior, a despeito do estrondoso sucesso lá fora, a ditadura militar deixava vir bem devagar (e só a parte que lhe interessava) a chamada Beatlemania, já descaracterizada e, para muitos, rebatizada “a la” brasileira de “jovem guarda”, mais palatável e de acordo com o “stato quo” do governo autoritário que vivíamos, à época.

Depois, temos o “selo estrela” “vermelho”, que lançou, aqui no Brasil, o single “Hey Jude/Revolution”, em 1968 ( o original inglês já vinha com o selo “Apple”), bem como o EP “Magical Mystey Tour”, também no início de 1968, de que, em breve, falaremos.

Por fim, vieram os selos “Apple”, seguindo o catálogo inglês, até “Let it be/You know my name”, último em vinil, lançado em 6 de março de 1970, na Inglaterra.

Começava, assim, então, a maior banda de rock de todos os tempos a fazer sucesso, em Liverpool, Londres, na Inglaterra, EUA e em todo o mundo... O resto é história...

Um forte abraço a todos e até a próxima...

LOVE ME DO/PS. I LOVE YOU
Lançamento: 5 de outubro de 1962 (UK)


terça-feira, 10 de abril de 2012

MEDALHA DE OURO: ADIVINHEM QUEM É?...




Boa noite a todos,

Como havia prometido, publicaríamos a MEDALHA DE OURO, isto é, a MELHOR BANDA DE ROCK DE TODOS OS TEMPOS. Aproveitemos, então, as comemorações de mais uma primavera e, como se fora um presente, DE MIM PARA MIM MESMO, falemos dos BEATLES.

Bem poderia, para mim, esta medalha de ouro ficar com o PINK FLOYD, mas, como pretendo fazer, também, algumas MENÇÕES HONROSAS – bandas que eu gosto, mas que não possuem uma “classificação” em minha mente, e também alguns artistas, como RICK WAKEMAN, por exemplo, ou a alguns discos, como SPARTACUS, do TRIUMVIRAT, e por aí vai – é bom que essa classificação fique apenas como uma referência para vocês que me conhecem e para aqueles que estão ainda a me conhecer.

Esta simples classificação que demos, esta “medalha de ouro”, dentre as minhas três bandas prediletas, é apenas didática, isto é, os Beatles, para mim, é, usando um termo francês de largo conhecimento de todos, “HORS CONCOURS”, isto é, FORA DE QUALQUER COMPARAÇÃO, ou mesmo competição.

A emoção extravasa, passa pela mente, desce no coração e faz minhas mãos e meus dedos se enroscarem.

Escrever sobre eles não é uma tarefa fácil, tanto para aqueles que os consideram neste nível – MEDALHA DE OURO – tanto para aqueles que tem uma visão mais crítica com relação aos quatro rapazes de Liverpool, passando por outros, também negativamente apaixonados (sim, existem, e não poucos).

Como tudo o que faz sucesso, extrapola o convencional, choca o “stato quo”, surpreende, de certa forma, os céticos, os Beatles também nunca escaparam e nunca escaparão de análises acerca de sua música, sua influência na música popular internacional, no comportamento, nas artes, etc, bem como da vida pessoal de cada membro: causam inveja, ciúme, muitos inimigos gratuitos, “amigos da onça”, mas não deixam de ser sempre o que são: REVOLUCIONÁRIOS.

Diante de tudo o que já se foi dito sobre eles, não vamos aqui repetir isto ou aquilo, concordar ou discordar com esta ou aquela opinião. Não.

Nunca existiu e jamais existirá algum artista ou algum grupo de música, ou coisa que o valha que sequer chegue a, pelo menos, dez por cento do que os Beatles realizaram, em tudo o que fizeram, durante a curta e avassaladora carreira deles: se, ainda que musicalmente, poder-se-ia discutir esta ou aquela técnica de qualquer dos quatro, o fato de ser simplesmente UM MARCO HISTÓRICO E CULTURAL DO SÉCULO XX supre, e muito, qualquer deficiência musical deles. Aliás, nunca se arvoraram no direito de colocarem-se como exímios músicos. É que realmente nunca precisaram. E a história demonstra isso.

Viveram numa época em que a ATITUDE, sobretudo, estava acima de qualquer rótulo ou etiqueta social. Chamados a responder sobre todas as questões que inquietavam o mundo, diziam o que pensavam (muitas vezes contra a vontade de seu empresário Brian Epstein, que, por razões óbvias, mantinha, até certa época, os quatro longe das polêmicas da sociedade) e arcavam com as conseqüências de uma sociedade deitada na hipocrisia dos costumes e das relações, típica sociedade de consumo e de, digamos, “ÍCONES”, que dizem como devemos viver, o que devemos fazer, para sermos felizes.

O mundo conheceu, através deles, o INÍCIO já do rock, sem o TWIST, o SKIFF e outros, que deram origem a tudo isso que hoje conhecemos como ROCK (primeira fase da banda, que vai até 1964), como música dançante e pervertora de uma juventude perdida, reprimida e careta - esta PERSISTIU, ganhou força e “VENCEU”, pois como bem disse o John, “o sonho (realmente) acabou”. Basta olharmos para os dias de hoje - , altamente influenciada por um meio social oriundo do pós-guerra, com suas desesperanças e inquietações, devidamente reprimidos, através principalmente da venda da ideia do "sonho americano", dos anos 1950, ditos "dourados": terno, gravata, cabelos impecavelmente penteados, rostos lisos e óculos esquisitos faziam o biotipo ideal do sexo masculino, por exemplo, indicando a necessidade de "se dar bem" na sociedade: ter um emprego, um automóvel, uma casa, filhos (de preferência saudáveis), um cachorro, uma esposa obediente, até o fim (a despeito da desobediência masculina), enfim, uma família "feliz" (ouçam, a respeito, Panis et Circenses, do Gil e do Caetano, com os Mutantes), igualzinha a todas as outras e, claro, como nos nossos dias;

O MEIO, isto é, os Beatles praticamente eram o MEIO ou a REFERÊNCIA de todas as transformações que estavam acontecendo no mundo, nos anos 1960. Estavam mesmo no olho do furacão, por assim dizer: o rock aí já não era mais o mesmo, o mundo estava começando a mudar e tudo o que se conhecia sobre o ser humano estava em questionamento, naquele momento. Não mais as letras de amores impossíveis, etc. A Existência estava na ordem do dia e os Beatles, sempre atentos e vivendo a sua época captaram muito bem essa mudança, mudando o mundo, através de sua música psicodélica e de seu comportamento de vanguarda;

O FIM, pois tudo tem um fim, isto é, o rock e o mundo foram, depois dos Beatles, o que todo mundo, pautados na economia de mercado, no consumo desenfreado e no individualismo fez deles. O sonho não somente acabou, mas também o pesadelo veio mostrar a todos nós que as mudanças somente ocorrem quando nós estamos preparados para elas, preparados para sermos AGENTES, PROTAGONISTAS dessas mudanças e não meros INSTRUMENTOS do capital e da modinha de momento. Nem mesmo o Punk, como movimento de ideias conseguiu sequer chegar aos pés de qualquer influência da contracultura, nesse sentido, a ponto mesmo de as “autoridades” constituídas da época preocuparem-se e muito com o que estava acontecendo. Quando descobriram, trataram de estigmatizar e satirizar, através do mercado, os valores que estavam sendo difundidos e substituindo mesmo os valores da sociedade de mercado, sem violência, sem repressão (regimes estalinistas, URSS, etc), sem nenhum disparo, em plena guerra fria.

Coincidência ou não, a banda acabou, junto com a década, e tudo o que dizia respeito a ela.

O Brasil vivia, à época, os terríveis “anos de chumbo”, de uma ditadura militar que nos trouxe incontáveis prejuízos sociais, seja de qual ponto de vista analisemos e que não elencaremos aqui para não “chutar cachorro morto”: Como pálida ideia do que ocorria, os Beatles tiveram a oportunidade de estar no Brasil e só não vieram porque tinham como PRINCÍPIO de não se apresentarem em países que viviam qualquer tipo de opressão ao seu povo e/ou regime de exceção, coisas do Brasil da época. Na possibilidade, que foi ventilada, disseram um belo e sonoro NÃO. E acertaram, como de costume.

Os “Reis do iê-iê-iê” ainda eram vendidos aqui como BONS MOCINHOS, lindinhos, de terninhos e de cabelos penteadinhos, cantando suas músicas de namoradinhas e apaixonites agudas sem-fim... Em pleno final dos anos 1960!!! Ao que parece, aquele lado dos Beatles, digamos PERVERTOR E TRANSGRESSOR DAS REGRAS, por aqui, na época, passou longe... O mundo estava mudando, e o Brasil, “estava indo bem”, no dizer dos militares, chefes da época...

É interessante notar que, ainda grande parte de seus fãs (mais até do que pensamos), aqui no Brasil, ainda tem essa visão COMPORTADA e PALATÁVEL deles...


Fácil ser famoso e viver os anos 1960?

Sempre souberam e sempre tiveram plena consciência das conseqüências do que diziam ou do que faziam e, mesmo assim, sempre foram autênticos e, na medida do possível, honestos para com eles mesmos (falo aqui, agora, das drogas, porque, acredito que, depois do que vivenciaram com elas é bem mesmo na “medida do possível” esta honestidade), evitando, assim – e um aprendia com o outro – aquelas hipocrisias, tão comuns na vida de celebridades e na nossa também, por que não...

Daí a música deles ser também bastante e muitas vezes honesta, autobiográfica (em muitas vezes) e eivada de sentimentos, ainda que, num primeiro momento, direcionada ao mercado consumidor de música que ali se formara (sem querer, por iniciativa deles mesmos).

Nasci em 1974 e, tenho certeza de que, no plano espiritual, EU JÁ OUVIA OS BEATLES, para reencarnar mais uma vez, neste planeta e OUVIR OS BEATLES, desde quando nasci, em 8 de abril de 1974. De lá para cá, quebrei os discos deles da minha irmã (talvez não façamos ideia de quão caro eles sempre foram), de tanto que pedia para ela por para eu ouvir, sem prejuízo, claro, de ter quebrado, também, sua vitrola delta, azul.

Hoje, guardo-os com muito carinho, cuidando bem de qualquer deles: seja da coleção estereofônica ou monofônica, passando pelos (fracos, de boa tentativa, mas fracos) CD’s e, claro, minha ESTUPENDA coleção monaural, em CD (aí sim, algo de qualidade, no mundo do consumo e da produção em linha de discos), presente de minha querida esposa, que também aprendeu a amar os Beatles (e os Rolling Stones... Mas isto fica para uma outra blogagem, nas menções honrosas, ok?).

As gerações hão de passar. Certamente desencarnaremos, para novamente reencarnarmos aqui, para dar continuidade às nossas tarefas de vida espiritual mais imprescindíveis. Mas, creio que os Beatles hão de ficar, para sempre, na mente e no coração de todos aqueles que, de certa forma, um dia, realmente ouviram e sentiram a sua música e aprenderam e cresceram um pouco mais com suas lições de vida e experiências pessoais.

Não é à toa, portanto, que me emociono, todas as vezes quando falo deles, quando escrevo sobre eles, quando ouço a música deles, quando paro para ouvir uma ou outra entrevista porque sei que dali vem algo a aprender, algo para se ensinar.

Tudo o mais que vem DEPOIS deles ou é mera cópia, mera tentativa de estrelato, ou algo mais aprofundado (rock progressivo), ou próprio e aprofundado (Led Zeppelin, por exemplo). Com raríssimas, mas RARÍSSIMAS exceções mesmo, poucas bandas salvaram-se, durante e depois deles.

Penso que os quatro aqui vieram para cumprir, com muita responsabilidade, e cumpriram um papel que outros, NA SUA ESMAGADORA MAIORIA, mormente aqueles que os criticam, simplesmente não teriam PEITO para sequer esboçar qualquer ação mínima nesse sentido. Estavam (foram para o) no lugar certo (Londres, a capital que “fervia” artisticamente em seu submundo), na hora certa e, se estivessem com as pessoas certas, certamente o mundo realmente não seria mais o mesmo.

Pesquisem por aí o que eles foram capazes de fazer; vejam as estatísticas, mas, mais do que isso, comprovem e comparem; desde a indústria fonográfica, passando pelas artes, comportamento, relações sociais, pensamento científico (principalmente na ideia de “conceito”) e ficará fácil de perceber o que aconteceu conosco, Humanidade, a partir do momento em que uma certa música, chamada LOVE ME DO foi para as rádios de Liverpool, através de um single (disquinho de vinil) da Decca Records, em 1962...
  
É evidente que muitas coisas mudaram e que, sem dúvida nenhuma, a influência que os Beatles exerceram no mundo ainda ressoa por aí. Se não foi AQUELA TRANSFORMAÇÃO que aquela galera de maio de 1968, em Paris sonhou e simbolizou, sintetizando tudo isso, isto é, toda uma década, pelo menos ainda hoje as pessoas, bem ou mal, vivem melhor do que antes dos anos 1960. Falo aqui, para variar, não em bens materiais e em tecnologias, evidentemente: as mulheres conquistaram certo espaço na família e na sociedade, a juventude, apesar dessa alienação (que sempre existiu e sempre existirá) tem certa visão crítica e, às vezes, construtiva das coisas do mundo e - AINDA BEM! - a espiritualidade ganhou papel de destaque, sobretudo nos anos 1990 para cá.

Com a Internet os Beatles tomaram, também, outra dimensão. No show do Paul, no Morumbi, vimos gente que ali estava, típica dessa geração que costumo dizer de “geração telinha”: excesso de “informação” (sempre, mas sempre superficial, de qualidade duvidosa e de veracidade questionável), onde se escolhe a música que se quer ouvir, através das milhares que circulam por este mundo cibernético, em MP3. A esmagadora maioria deles não sabiam o verdadeiro significado de um Beatle por entre nós; não sabiam sequer cantarolar uma música de sucesso, por exemplo. 

Talvez o oba-oba de momento tenha sido mais forte do que qualquer reflexão social, nesse sentido. O fato é que, ainda que dessa forma, ali estavam... E como é bom ver como isso ainda pode reunir as pessoas, para um dia feliz na vida delas!!!... Ainda que não manuseiem discos de vinil!!!...

Bem, nem todos, como eu, tiveram o privilégio de, ANTES DE REENCARNAR OUVIR e NASCER OUVINDO Beatles e de procurar entender o seu verdadeiro significado, para si mesmo e para o mundo e, se o mundo, os Beatles e a Internet são o que fazemos deles eis aí a minha proposta, dentro da Internet, sobre os Beatles e sobre o mundo.
  
John disse, certa vez, numa conversa com seu amigo Zimermmann (Bob Dylan), que ouçamos o “som todo da coisa”, numa referência às músicas e o que elas significam para nós outros.

Ouçam: THE BEATLES: A MELHOR BANDA DE ROCK AND ROLL DE TODOS OS TEMPOS.

A discografia que segue é a inglesa, isto é, oficial. A que saiu aqui, no Brasil, é diferente, como também descreverei. Os singles - que eram as músicas – duas, Lado A e Lado B que não “entravam” nos LP’S – LONG PLAY, que é uma expressão inglesa, e que eram utilizadas para, digamos, manter a banda em 1º lugar nas paradas de sucesso - não entrarão, por conta mesmo da enorme quantidade de capas e diversidade de músicas, pois, como conversamos lá em cima, o mercado fonográfico estava DESCOBRINDO eles e aproveitando - claro! - para crescer e enriquecer-se.

Os Beatles gravavam em MONO, pois era o que se apresentava para a época. Somente em 1967 começaram as gravações a serem produzidas em ESTÉREO, até porque, nos países ricos – Inglaterra e EUA – havia pouquíssimos aparelhos estereofônicos e os custos para tal mudança eram enormes.

Portanto, os discos, ORIGINAIS, são MONAURAIS, até 1968, ocasião do lançamento do “Álbum branco”, ou “The Beatles”. Em 1967, George Martin mixou o Sgt. Peppers para o estéreo, lançando os dois, mono e estéreo, posteriormente a este ano de 1967, que foi o de lançamento de Pepper. Mas o “Álbum branco” também foi gravado, originalmente, em MONO. Portanto, todos os discos dos Beatles, bem como os singles, até 1968, eram gravados em MONO.

Então, a gente conversa em MONO até o “Álbum branco” e depois passa para 2 canais, isto é, estéreo, ok? Em quadrafônico (4 canais!!!) não existem álbuns dos Beatles... Vamos lá... Mono e depois Estéreo...

Lembrando que, começamos esta blogagem na última sexta-feira – dia 6 de abril e, aos poucos, vamos blogando os LP’S dos FAB FOURS, um por um, pois eles merecem, não é mesmo? Vamos começar, então, do início para o fim, isto é, PLEASE PLEASE ME até THE BEATLES – 20 greatest hits, lançado em 1982, último em vinil. Após ele, vem a era do Compact Disc, onde faremos uma blogagem especial para ela. Vai, MAIOR BANDA DE TODOS OS TEMPOS, vai...

foto do set do clip do single Penny Lane/Strawberry Fields Forever, a melhor fase deles...