domingo, 3 de fevereiro de 2019

TELHADO DA APPLE: 50 ANOS DO ÚLTIMO SHOW DOS BEATLES

Boa tarde,

Conforme combinamos, voltamos para falarmos dos 50 anos do último show dos Beatles, ocorrido no dia 30 de janeiro de 1969.

Savile Row, o nome da rua onde se encontrava o prédio da Apple... e é também o nome da empresa que fez os óculos redondos do John e todos os óculos da Rainha: Savile Row!!!


Em dezembro de 1968 houve uma reunião na sede da Apple, mais precisamente no dia 27 de dezembro, onde os Beatles discutiram os planos para 1969.


Nesta reunião ficaram marcados - por sugestão de Paul - um especial produzido para a TV com uma hora de duração e um show, cujos ensaios deveriam começar a acontecer no dia 18 de janeiro de 1969.

A ideia inicial do show era ser beneficente, fechando a década de 1960 de maneira grandiosa e, ao mesmo tempo, trazer o grupo de volta às raízes. Esta ideia ganhou forma e passou a se chamar "Projeto Get Back".


Lá estive em 2014... Saudades!!!

Definidos os planos, agora era a hora de saber onde fazer o show. Primeiro, eles escolheram o Roundhouse em Londres. Reservaram o local por duas vezes, mas, mais uma vez voltaram atrás, cogitando realizar o show numa barcaça, andando pelo Tâmisa.

Bem, voltando ao especial para a TV, acabou não rolando porque não houve aceitção dos outros três beatles: é que as decisões eram tomadas colegialmente e, se alguém vetasse, o projeto ou a ideia, não ia para frente. Foi o que aconteceu.


Lá estive em 2014...

Ocorre que, naquele momento, os Beatles, como unidade, já não existiam mais (desde Sgt. Pepper's, para ser mais preciso): John queria acabar logo com o grupo, mas receava - talvez - chatear os outros, até porque, se ele quisesse tinha acabado com tudo mesmo, já que foi ele quem criou a banda; Ringo estava na dele, envolvido com seu projeto pessoal: as filmagens de The Magic Christian, que iriam acontecer a partir de fevereiro; e George, a exemplo de John, não queria mais ser um Beatle já fazia tempo.



Então sobrou o show, que ninguém sabia nem onde e nem quando iria acontecer.

Os ensaios começaram e escolheram o Twickenham Studios, em Londres. 

Todos então combinaram e concordaram em filmar todo o processo de composição e ensaio das novas músicas e somente elas entrariam no show, desprezando-se, assim, as antigas e as recentes, do álbum branco.

RECOMEÇAM AS BRIGAS

Ensaiando em um ambiente hostil e frio e, ainda, tendo que começarem os ensaios muito cedo, logo as brigas entre eles recomeçaram: John, sempre acompanhado de Yoko (fato que sempre desagradou aos outros três), à essa época estava envolvido com heroína e sempre chegava chapado; George teve novo acesso de raiva, desta vez por ver Paul mandando em tudo e em todos, bem como estava cansado de ver suas músicas insistentemente boicotadas pela dupla; e Ringo, cada vez mais distante dos três...



As rusgas se estenderam também para George Martin, a partir do momento em que o desautorizaram a editar ou adicionar qualquer instrumento ou voz nas músicas, colocando de lado, também, o engenheiro de som da EMI, Geoff Emerick.

George Martin também estava dispensado da produção e os Beatles colocaram Glyn Johns para fazer isso. Alan Parsons, àquela época recém contratado da EMI é quem ia operar as fitas.


No terceiro dia de ensaio o pau come, tendo George e Ringo perdido o entusiasmo pelos ensaios (o que já não era muito); no quarto dia, uma briga feia entre Paul e George, porque Paul queria que George tocasse de tal ou qual maneira em uma música dele... E isso diante das câmeras!!!


Fachada do prédio da Apple, em 2014, quando lá estive...


Já no dia 10 de janeiro, outra briga, desta vez entre George e John, por conta da apatia e descontentamento deste último. George, então, larga a guitarra e vai embora. Coube a Yoko ficar no lugar de George, no resto da tarde, para "terminar" o trabalho, com suas performances de gritos, gemidos, microfonias, etc.

Passados três dias, no estúdio estavam Paul e Ringo, apenas, discutindo os estragos na banda causado por Yoko. O medo de todos, claro, era que se alguém dissesse alguma coisa a respeito disso a John, ele imediatamente deixaria o grupo.



Enquanto a turbulência rolava, o local do show ia se definindo: cogitou-se novamente um outro local, um anfiteatro romano em Tripoli, na costa da África, por causa do frio de Londres. Começariam o show ao entardecer, com a arena vazia e depois as pessoas iam entrando, todas, de todas as cores e credos. Novamente, o projeto do local fracassou.


Por esta porta entraram os fabfour para fazerem o seu último show, em 10 de janeiro de 1969...


Bem, então marcaram uma nova reunião para apararem as arestas e decidiram cancelar o show e gravar um disco com as novas músicas ensaiadas, mudando as filmagens para o prédio da Apple, cujo estúdio já havia sido montado.

GET BACK: NASCE UM NOVO DISCO... SERÁ?

Este material novo, para a formação de um novo disco, era este:

Don't Let Me Down, Dig a Pony, All Things Must Pass, Let it Down, I've Got a Feeling, On The Road to Marrakesh, Two of Us, Let it Be, Take a Trip to Carolina, Picasso, One After 909, Gimme Some Truth, Maxwell's Silver Hammer, Oh! Darling, Hear Me Lord, Carry That Weight, Octopus's Garden, She Came In Throught the Bathroom Window, Golden Slumbers, Get Back, The Long and Winding Road e For You Blue.

No prédio da Apple também foi decidido que o especial de TV "Beatles At Work" iria virar um filme, que se chamaria, assim como o disco, "Get Back".


A mudança para o prédio da Apple melhorou um pouco o humor dos quatro, já que era bem mais aconchegante que o Twickenham. E George trouxe o tecladista Billy Preston para os arranjos, o que deixou todo mundo comportado.

Algumas músicas foram gravadas e filmadas na Apple: Teddy Boy, Dig it, Every Night, Isn't a Pity, Octopus's Garden, Maxell's Silver Hammer, Let it Down, Old Brown Shoe, Something, I Want You e All Things Must Pass.


O SHOW NO TELHADO


A partir daí começa a amadurecer a ideia de Paul e ele começa a convencer os demais para tocarem no telhado do prédio da Apple, já que não iriam mais fazer o show planejado em dezembro de 1968.


Êta portinha disputada!!!


Os outros três toparam a ideia e, na hora do almoço, no dia 30 de janeiro de 1969, uma quinta-feira fria e cinzenta de Londres (e como são!!!) os quatro subiram ao telhado do prédio da Apple e começaram a diversão.



Bem, imaginem vocês: centro de Londres, uma cidade extremamente conservadora, hora do almoço, pleno dia útil e quatro cabeludos começam a fazer um showzinho básico em cima de um telhado de um dos prédios ao redor...

Aspecto da Savile Row, próximo ao prédio da Apple... Aliás, estes prédios aparecem no filme do show... aqui, naquele dia, estava cheio de gente!!!


Logo os banqueiros chamaram a polícia e o show acabou. Ainda mesmo assim, eles conseguiram tocar por cerca de 42 minutos, tudo devidamente filmado e documentado (graças a Deus). 

O "set list" foi:

Get Back
Don't Let Me Down
I've Got a Feeling
One After 909
Dig a Pony
e repetiram I've Got a Feeling, Don't Let Me Down e Get Back.

Algumas músicas não puderam ser tocadas no telhado, por conta da interrupção, e foram gravadas no estúdio da Apple: Two of Us, The Long and Winding Road e Let it Be.

O centro de Londres parou para ouvir os Beatles tocar no telhado, de graça, para todos: Gente nas janelas dos prédios, nas ruas, nos telhados vizinhos...

Este prédio fica defronte ao prédio da Apple... A calçada estava lotada de gente parada, ouvindo os Beatles tocarem...

O projeto "Get Back", ou volta às raízes, idealizado por Paul para salvar a banda, de alguma forma, acabou sendo mais uma rasteira num dos pilares que ainda sustentavam a banda.

Eis aí o último show ao vivo dos Beatles. A banda estava bem próxima do fim e um novo disco tomava forma e somente seria lançado em maio de 1970, época em que os Beatles não mais existiam.

Dá até arrepio, em pensar que eu estive aí, também num dia cinzento, frio e com muito, muito vento!!!

O disco foi esquecido - que se chamaria "Get Back & 12 Other Songs", com a capa cuja foto já havia sido feita com eles no mesmo lugar onde fizeram as fotos de "Please Please Me", só que agora seis anos mais velhos - , e retornaria, com um novo nome, uma nova capa e uma pá de cal na maior banda de rock and roll de todos os tempos: Let it Be.


Mas isso é motivo de conversa para o ano que vem...

Bem, vamos ficando por aqui.

Voltaremos em breve, para falarmos sobre o primeiro compacto dos Beatles em estéreo lançado nos EUA: Get Back/Don't Let Me Down.


Saudações Beatlemaníacas e Decacampeoníssimas,

domingo, 20 de janeiro de 2019

YELLOW SUBMARINE: 50 ANOS DA TRILHA SONORA!!!!


Boa tarde a todos!

O ano de 2019 reserva-nos muitas conversas em torno do rock e dos Beatles.

Só para termos uma ideia, neste período (janeiro), há 50 anos, os Beatles começaram a gravar as músicas de seu projeto “Get Back”, que se transformou no álbum “Let it Be”, e que só veio a público em 1970 (Por quê?), motivo de uma postagem mais para frente.

O ano de 1969 igualmente marca o fim da carreira fonográfica e da maior banda de rock de todos os tempos, com o álbum “Abbey Road”.

É também o ano de 1969 um novo “divisor de águas” para o rock, com o surgimento do rock progressivo, vertente do rock que mais gosto, através do espetacular álbum de uma grande banda inglesa, o King Crimson, em seu debutante e clássico “In the Curt of the Crimson King” (para mim, um dos dez melhores álbuns da história), que é quase uma unanimidade em termos de marco inicial do rock progressivo (e, na minha opinião, com o surgimento de bandas como o Yes, motivo de uma postagem muito, mas muito especial de seus 50 anos, em breve!).

Divisor de águas também posso chamar aquilo que se deu após o festival de Woodstock, em julho de 1969, motivo de uma futura postagem em sua comemoração de seus 50 anos.

Como em 1967, também podemos dizer que, há 50 anos, o ano de 1969 determinou o rock que hoje conhecemos como “rock”, isto é, a música que dominou as paradas pelo menos dos anos 1970, 1980 e 1990, este último com o último suspiro do rock: o grunge, nascido em Seatle, com suas bandas de calças rasgadas e camisa xadrez.

Marcou, também, o fim de uma era: os anos 1960 e somente por si só, o ano de 1969, há 50 anos atrás, fez com que o mundo nunca mais fosse o mesmo, apesar de parecer que nada tenha mudado.

Para começarmos, então, o ano de 2019, vamos falar dos 50 anos do lançamento da trilha sonora do desenho “Yellow Submarine”, cujo disco recebeu o mesmo título, lançado a 17 de janeiro de 1969.

meu vinil nacional, de época, 1969, com o selinho "estereofônico"...


Yellow Submarine, o filme, o desenho animado de longa metragem foi lançado em julho de 1968, mas como os Beatles estavam finalizando a gravação do White Album, a sua trilha sonora saiu mesmo em janeiro de 1969.

Contracapa..

No lado “A”, vamos encontrar seis canções dos Beatles. Destas seis, quatro eram novas, já que “yellow submarine” fora lançada em “Revolver” (1966) e “All You Need is Love” em single, em 1967.

Lindo LP, em estado de zero!!!

Já no lado “B”, há somente composições de George Martin, o produtor dos Beatles, cujas canções instrumentais fazem parte do filme. Aliás, uma delas –“Pepperland”, que abre o lado “B” - ficou famosa quando foi regravada no começo dos anos 1990 e passou também à trilha sonora da novela “Pantanal”, da extinta Rede Manchete.

Meus CD's...

Para você que me lê e desconhece a história dos Beatles pode parecer que eles gravaram o disco e as músicas pensando no filme. Mas não foi bem isso que aconteceu.

Este é meu único CD inglês dos Beatles: Yellow Submarine!!1

Lindão!!!

As quatro faixas as quais me refiro foram gravadas em 1967: uma delas foi gravada para Sgt. Pepper’s e descartada para este disco; as demais foram gravadas depois do lançamento de Pepper’s e fazem parte da leva psicodélica da banda, do período compreendido entre 1966 e 1967.

Soundtrack, lançado em 1999... e lá se vão VINTE anos!!!...

Vamos às faixas!!!

YELLOW SUBMARINE

Música, como já disse, lançada em “Revolver”, em 1966. Deem uma olhadela na minha postagem dos 50 anos de “Revolver”.

Vinil original que vem na caixa estéreo, importada...

ONLY A NORTHERN SONG

Trata-se de uma contribuição de George para Sgt. Pepper’s, gravada em fevereiro de 1967, durante as gravações para aquele álbum.

É um sarcasmo de George com relação à Northern Songs Ltd., cuja empresa era onde as composições de Lennon/McCartney eram publicadas. Para esta empresa do grupo, George e Ringo eram minoritários, recebendo apenas o relativo a suas cotas das ações, isto é, 1,6%, enquanto Lennon e Paul recebiam 30% cada, já que eram os quase únicos compositores da banda. Para a Northern Songs, George era apenas um compositor contratado.

Também podemos olhar pelo ângulo de que como as músicas de George eram insistentemente rejeitadas pela dupla (com uma certa dose de razão, já que tinham um material muito superior ao de George, principalmente nos primeiros anos). 

Daí o sarcasmo e o “deixar de lado” de Pepper (que, realmente já estava suficiente).



ALL TOGETHER NOW

Esta foi escrita no estúdio, em maio de 1967, após a conclusão da gravação de Sgt. Pepper’s (abril de 1967).

A ideia de Paul era criar outra “yellow submarine”, mas acabou virando trilha sonora do filme.

John ficou satisfeito quando viu que as torcidas inglesas a cantavam nas arquibancadas.

É mais uma da leva psicodélica, cuja característica principal era o interesse pela inocência da infância, cujo teor Paul confirmou tê-lo tirado de músicas para crianças, mas disse também que, na época, estava brincando com o significado do título – all together now – que podia tanto ser um convite para que todos cantassem em uníssono quanto um slogan para a unidade mundial.

Eis aí, o importado da caixa estéreo...


HEY BULLDOG

Esta foi gravada na leva pós pepper e pré álbum branco, juntamente com Lady Madonna, em 11 de fevereiro de 1968.

Era uma letra inacabada de John, que sofreu contribuições de todos no estúdio.

O detalhe é que o buldogue, do título, não existia antes da letra. A letra original falava de uma rã, mas, para animar o grupo, Paul começou a latir no final da música. Por causa disso a canção foi rebatizada.

que tal ouvirmos um disquinho, hein?


IT’S ALL TOO MUCH

Gravada em maio de 1967, era, segundo George, sobre “as descobertas que apareceram de maneira pueril depois de algumas experiências com LSD e que foram posteriormente confirmadas na meditação”.

Através de imagens dos sóis prateados e do curso do tempo, a música tenta articular a sensação de identidade pessoal sendo engolida por uma força benigna.

Depois, George passou a ver a experiência com LSD como um “sinal e não como um destino”, por conta de seu envolvimento com as palestras na Índia e seu engajamento, até o fim de sua vida, com a cultura de Krishna.

ALL YOU NEED IS LOVE

Faixa que já recebeu uma blogagem especial. Deem uma olhadela por lá!

Bem, não vou contar como é o filme para ficar com gosto de “estreia” para aqueles que nunca o viram, mas trata-se de um trabalho psicodélico bem da época. Vale a pena assistir!!!

Em 1999, há vinte anos, portanto, foi relançado o CD (e, depois, o vinil) “Yellow Submarine Songtrack”, que traz as seis músicas do disco original e retira as músicas de George Martin (do lado “B”), incluindo outras nove músicas do filme original, todas devidamente remasterizadas, exaltando principalmente as partes vocais.

Vinil do soundtrack, que comprei em Liverpool... Boas lembranças de lá!!!


Coincidiu seu lançamento com o lançamento do DVD do filme.



Saudades de Liverpool...

As nove músicas adicionais são:

Eleanor Rigby; (“Revolver”)

Love You To; (“Revolver”)

Lucy in the Sky With Diamonds; (“Pepper”)

Think for Yourself; (“Rubber Soul”)

Sgt. Pepper’s Lonely Hearts Club Band; (“Pepper”)

With a Little Help From My Friends; (“Pepper”)

Baby You’re a Rich Man; (lado “B” de “All You Need is Love”)

When I Sixty Four; (“Pepper”)

Nowhere Man (“Rubber Soul”).

Portanto, um “misto” de Rubber Soul, Revolver e Pepper.

DVD lançado em 1999... Encartes são um show à parte!!!



Muito bem. Trata-se de um disco que eu gosto muito, apesar de não gozar de muito prestígio e/ou conhecimento de sua existência por aí.



Meu quadro, que mandei fazer a partir de um anúncio de jornal, na ocasião do lançamento mundial do soundtrack, em 1999...

Semana que vem, vamos falar do show no telhado... Sim. Uma banda subiu num telhado e fez um show para o centro de Londres. Adivinhem qual banda é esta?


PS. Terminei o meu quadro de ferramentas... Saquem só!!! Realizei um antigo sonho, desde quando trabalhava vendendo peças de motos e ficava na oficina, dando uma de "fuçânico"!!!!

Mexânicos, preparem-se!!!!


Saudações Beatlemaníacas e Decacampeoníssimas!!!!





segunda-feira, 31 de dezembro de 2018

CHEVROLET OPALA: 50 ANOS!!!!


Boa tarde a todos,

Estamos de volta neste fim de ano para conversarmos sobre os 50 danos do Chevrolet Opala.

Primeira peça promocional do Opala, 1968/1969...




Oficialmente lançado no VI Salão do Automóvel de São Paulo, no Anhembi, que ocorreu durante 19 de novembro a 8 de dezembro de 1968, o Opala foi (e ainda é), sem sombra de dúvida, o carro “dos sonhos” de muitos, mas muitos brasileiros. E foi o meu carro dos sonhos da minha infância, também!


Não sou um entusiasta de automóveis. Mas o Opala mexeu comigo desde pequeno, quando, pela primeira vez, pude ver um bem de pertinho, um Comodoro 1978, que era de propriedade de uma amiga de minha irmã.

Linha 1971...

Gran Luxo, em 1971, no seu lançamento...


Um belo dia, deste mesmo ano de 1978, portanto, há 40 anos, ela apareceu no portão de minha vila, para buscar minha irmã para irem ao fã clube dos Beatles.



Linha SS, 1971...


Linha 1973...

E eu, claro, falou-se em Beatles, estava lá e, também, claro, para ver o Opala champagne (sim, as cores da GM sempre foram maravilhosas!)...


Linha 1974...

Linha 1975...

Linha Chateau, 1978, todo vinho...


Sem contar que, quando não tínhamos o que fazer, ou quando o vento estava parado (não dava para empinar quadrado), ficávamos na porta de minha vila, olhando a Av. Cabuçu (hoje, a Av. Dr. Antonio Maria de Laet, a mesma da estação Tucuruvi, do Metrô) e ficávamos brincando de “escolher carros”. Explico: Ganhava aquele que escolhesse o carro que passasse mais vezes, pela nossa visão. Só não valia escolher o Fusca, já que passava demais!!! Eu, claro, sempre escolhia o Opala!!!

Linha Diplomata 1980...

Então, minha paixão por este carro vem de longa data. Não é “modinha” de hoje, não.
Comprei meu primeiro Opala no ano de 2001, com o dinheiro que minha mãe guardou e/ou aplicou para cada filho dela, pensando que desse para comprar uma casa para cada um!!!

Com o seu desencarne, e o meu “desencane”, achei um anúncio no antigo jornal de anúncios “Primeiramão” e fui ver o carro, que se encontrava na estação Santa Cecília do Metrô...

Tratava-se de um Comodoro 1979/1980, que estava em razoável estado... Fomos eu e meu irmão Anselmo até lá negociar e (claro!) buscar o Opalão...

Meu primeiro Opala, Comodoro 79/80...



Fechado o negócio, pedi ao antigo proprietário que o trouxesse até o Tucuruvi, bairro onde morei durante 40 anos, de tanto medo e ansiedade  que tinha para dar “a primeira volta”.




Chegado em casa, não tive tempo de curti-lo, já que tive de voltar ao trabalho e, como se tratava de uma terça-feira, tive de esperar longos três dias para, finalmente, dar o primeiro rolê...

Bem, nem tenho palavras para descrever o momento em que o liguei e o tirei da garagem...

Tive muitas alegrias com este Opala... Quando eu o comprei, a sua pintura tinha os chamados “pés de galinha”, umas rachaduras na pintura que aparecem por conta de vernizes de baixa qualidade utilizados na finalização da pintura.

Não tive dúvidas: mandei tirar toda a pintura do carro, para começar do “zero”, da lata... e ele ficou sensacional!!!

Tinha câmbio automático de três velocidades, direção hidráulica, ar condicionado...

Fiquei com ele até o começo do ano de 2005, quando, um pouco antes, resolvi investir no meu sonho completo: ir atrás de um modelo dos anos 1970, mas dos primeiros modelos... um Gran Luxo.

Ói, nóis, aí, esperando para mais uma aventura!!!

Esta foto é na AABB, na Serra da Cantareira, em 2010...

Eu tinha preferência por este modelo, por se tratar de um modelo topo de linha da época (o Gran Luxo foi produzido de 1971 a 1974, depois deu lugar, no topo da linha, ao Comodoro, que, por sua vez, deu lugar ao Diplomata, em 1980).


Fotos no Centro Cultural, antigo local de trabalho.

À esta época, eu trabalhava no Museu Histórico de Guarulhos e, ao lado mesmo deste museu há uma biblioteca pública, onde, entre umas escapadas e outras, eu dava uma olhadela na “internet”, para ver alguns modelos à disposição.


Num destes dias, eu vi um Gran Luxo, 1971, na cor topázio dourado, todo judiado (por fora e por dentro), mas que valia a pena ir ver por conta do alto índice de originalidade, de frisos, etc... o problema é que ele estava a 450 km de São Paulo, mais precisamente na cidade de Matão.

Motorzinho é coisa de dentista!!!!

Fomos, eu e meu irmão Agnaldo, até Matão, de ônibus, para ver o carro. Nem preciso dizer que me apaixonei logo por ele e que fechamos negócio imediatamente. Isto numa terça-feira.

Marcamos, então, para quinta-feira, para eu ir buscá-lo. E fomos, eu e meu irmão, com uma maleta enorme de ferramentas nas mãos!!!


Estava um calor causticante (e hoje sei que faz muito calor aqui no interior!). Chegamos por volta do meio-dia e a mãe do rapaz, antigo proprietário dele, fez-nos almoçar em sua casa.


Barriga cheia e mente cheia de emoções, caímos na estrada. Mas havia um problema, que a maleta do meu irmão nada poderia ou pode fazer: os pneus, extremamente 
carecas.


De fato, o fato de eu estar encarnado nestes dias e escrevendo a vocês é porque devo estar, mesmo! Numa dessas estradinhas vicinais, que liga uma pequena cidade a outra, ou uma grande rodovia outra, fui fazer uma ultrapassagem de um caminhão e acelerei o Opala... quando faltavam ainda três eixos do caminhão a serem ultrapassados, o pneu traseiro esquerdo estoura e o Opala começa a jogar a traseira, para um lado e para outro.

Charme, requinte e sofisticação!!!

Quem tem Opala sabe o quanto a traseira dele é leve... e com o pneu estourado, então...

Meu irmão, que tem pele morena, ficou branco. Mas, com muita calma, contornei a situação e encostei o carro no matinho, ao lado da estrada (não tinha acostamento). Por sorte (sempre ela e meus Opalas!!!), não mais que dez metros à frente, encontrei uma borracharia e substitui o pneu estourado por outro, tão meia boca quanto aquele!!! E prosseguimos viagem!



Lindíssimo, por dentro e por fora!!!

Demos uma parada num posto de gasolina, perto de Jundiaí, para darmos um tempinho para o motor, e seguimos, rumo a São Paulo.

Ao chegarmos na marginal tietê, no entanto, quase chegando à saída da ponte da Vila Maria (eu ia deixar meu irmão em casa, antes de seguir para o Tucuruvi), a gasolina acaba, no meio do congestionamento! O ponteiro de gasolina não marcava... Depois, tive de trocar a boia do tanque... Deu o que fazer, para arrumá-la... Comprei uma boia usada lá no sambódromo, no encontro de carros antigos que é realizado todas as terças-feiras à noite (R$ 250,00 à época, uma fortuna!). O Opala ficou seis meses e meio parado na Oficina, esperando a boia!



Bem, o que fazer? Saímos do carro e o empurramos (a sorte é que eu estava na pista local!) até um posto de gasolina próximo (sempre a sorte!!!) e prosseguimos viagem!!!

Era o dia 20 de julho de 2005. Finalmente um Gran Luxo entrava na minha vila!!!

Este eu esperei apenas um dia para curti-lo melhor, já que se tratava de uma quinta-feira!

Comecei também todo um processo de restauro geral, porque ele merecia, e troquei quase tudo nele: freios, suspensão, pneus, amortecedores, tapeçaria... O único lugar em que não mexi foi no motor. O resto...

Participou ele de quatro casamentos: o primeiro foi o de minha prima, e viajamos de São Paulo até Pirassununga, para fazermos uma festinha por lá. Estava eu, meu irmão Agnaldo, junto com sua ex- esposa e seus filhos.

Enchemos o porta malas e o tanque e... pé na estrada!!!!

Paramos a cidade!!!

O próximo casamento foi o meu, na Serra da Cantareira, quando subimos a Serra com Opalão e minha esposa “entrou na igreja” (não casamos em uma, pois somos espíritas) de Opala!!!

Dia memorável, com nosso Opala participando...

O terceiro casamento foi novamente em Pirassununga, de meu primo, ocasião em que também levei a noiva da igreja até o buffet.

Já no quarto casamento foi uma verdadeira epopeia, já que o casamento de uma das minhas irmãs foi realizado num sítio (que até hoje não sei bem onde fica), perto do início da rodovia Anchietta. O Opala ficou absolutamente cheio de barro (e nós, também!), mas a noiva chegou “inteira”!!!

Um passeio em Pirassununga, no Casamento do Gino...

Foram muitas (fortes) emoções vividas com meu topázio dourado. Uma delas aconteceu no casamento de minha prima, no primeiro. Na volta, estávamos quase chegando a Jundiaí (de novo!) e, ao parar o carro no pedágio, o motor superaqueceu. Saí do pedágio e “joguei” o carro no acostamento (desta vez meu irmão não estava de maleta de ferramentas.... também não ia adiantar...).

Abri o capô e a água (ou o que restou dela) subiu... Sorte, novamente, porque estávamos perto do pedágio e, dali, chamamos o socorro... Veio um guincho, que nos levou (na plataforma) até um posto de gasolina mais próximo, para fazermos o reparo.

Aí, dá pra imaginar: uma ex - cunhada chata com duas crianças alegres e um irmão preocupado: a criançada curtiu pra caramba o caminho na plataforma, mas a ex – cunhada começou a ligar para Deus e o mundo para avisar (de quê?) à família do nosso “infortúnio” (do dela, só se for porque, como ela era muquirana, não aguentou quando meu irmão pagou a gasolina de volta e fez “bico”, andando de Opala de mau humor)...
Estávamos de Opala, meu amigo, e colocamos um aditivo (que mais parecia ovo) e algumas bananas no radiador e... Pronto! “novinho” para voltar pra casa!!!

Quando cheguei em casa, desliguei o motor e.... água para todo lado!!! No dia seguinte, mandei trocar o radiador!!!

Só deu problema pelo meu excesso de zelo, porque, quando o restaurei, os mecânicos lavaram o sistema de arrefecimento dele e limparam (literalmente) o radiador. Acabaram por tirar os pequenos pontos de crosta de ferrugem que ainda “seguravam” a onda...

O tempo passou.... Muita sorte daqui, um improviso de lá (mas nunca, nunca me deixou na mão) e aprofundei ainda mais o meu sonho: ter um Gran Luxo, na cor vinho, do ano em que nasci: 1974.


Lindo Gran Luxo vinho, 1974...


 Intensifiquei a procura e o encontrei na “internet”, mas haviam outros problemas: eu não tinha vendido o topázio dourado (e nem tinha intenção de fazê-lo) e o Gran Luxo vinho estava no Rio de Janeiro.

Mas não desanimei e fiz contato com o proprietário por telefone (não havia whatsapp) e decidimos, eu e minha esposa, viajar até o Rio de Janeiro para ver o carro (e comprá-lo).

Na época meu outro irmão, o Amarildo, estava morando em Niterói, por conta de contingências profissionais dele e de minha cunhada. Foi a “mão na roda”. Fomos até o Rio, ou melhor, até Niterói e marcamos para ver o carro, que se encontrava no bairro da Pavuna, no Rio.

Chegamos lá e realmente, o carro dos meus sonhos ali estava: Gran Luxo vinho, ano 1974.

Negociações daqui e dali e finalmente comprei-o.

Este demorou para vir para casa, porque havia o aniversário de um ano do filho de minha prima de Pirassununga no calendário (começo de novembro de 2011) e meu irmão viria para este aniversário. Então combinamos de eu ir até o Niterói para pegar o carro e vir com ele para São Paulo. Como nós compramos o Opala em outubro, ele ficou quase um mês no Rio, esperando para eu ir buscar...

Nem preciso dizer a emoção de dirigir um Opala, de Niterói até São Paulo... Ainda mais no carro dos meus sonhos... 140, 150, 160 km/h.... e nem senti a estrada, apenas no bolso, tendo que parar pelo menos duas vezes para reabastecer!!!

Mais um passeio em Pirassununga, na casa da minha tia...

A única coisa que não deu certo foi que minha esposa não estava comigo, pois estava trabalhando...

Chegamos em São Paulo e deixei, mais uma vez, o Opala na garagem da casa do meu irmão, porque na minha não cabia os dois Opalas... Ainda não sabia onde eu o deixaria e ele ficou um bom tempo por lá (Santana, Imirim, Santa Terezinha, acho que é num desses bairros que meu irmão mora).


Passado algum tempo, arrumei uma garagem para ele – a do Amauri. Enquanto isso, fui tentando vender o topázio, como o fiz, infelizmente, para então somente ficar com o vinho.

E ele veio comigo embora aqui para o interior, com o porta malas carregando parte da minha aparelhagem de som e discos.

Aliás, o dia em que fui conhecer meu novo local de trabalho, no Fórum de Leme, fui com ele e, claro, todos de lá não deixaram de comentar sobre o “novo funcionário e seu Opala placas pretas”.

Na época eu ainda morava em Pirassununga e também, no meu primeiro dia de trabalho no Fórum, fui de Opalão!!!

Mas realmente não ia dar para ir trabalhar de Opala todos os dias, pois eu teria de virar sócio da Shell ou da Petrobrás!!!

Foto de quando ele estava no Rio de Janeiro, com o outro dono...

Meu último Opala, um Comodoro, 1986/1987 foi, talvez, o mais judiado (por mim) de todos. Não que eu o “destruísse”, mas por não ter feito absolutamente nada de relevante para deixá-lo como ele merecia.

Lindo Comodoro, 1986/87...

Numa tarde de domingo, meio chuvosa aqui em Santa Cruz da Conceição, estava eu observando os Opalas na “internet” e acabei vendo o Comodoro, bem pertinho de mim, em Pirassununga. Não vacilei e entrei em contato com o proprietário e, em meia hora, estávamos em Pirassununga para ver o Comodoro.


Este eu comprei para ser meu carro de trabalho, mesmo: meu primeiro Opala 4 cilindros, motor a álcool, direção hidráulica, rodas ralinho, vidros e porta malas elétricos, etc.

Meu primeiro motor 4 cilindros... Os outros três eram 6 cilindros...

As famosas rodas ralinhos, item de série no Comodoro 1986...

Mas as necessidades de se ter um carro para trabalhar – 22 km, ida e volta do trabalho, todos os dias – e a falta efetiva de peças e de bons mecânicos para mexerem nele fizeram com que eu o vendesse, também.


Carro bem conservado, tudo funcionando perfeitamente...

Belo painel, que à noite fica iluminado de verde, claro!!!





Mas, apesar de ter ficado menos de ano com ele, trouxe-me boas recordações...

Nesses tempos difíceis de encontrar peças, acessórios, bons mecânicos e bons eletricistas aqui no interior, abandonei de vez os meus projetos de Opalas. Além dos preços altos de carros, na inversa proporção da qualidade: muito lixo, para muito dinheiro.

E você? Qual é o seu sonho de vida, digamos, material? Você já o(s) realizou?

Para sempre, Opala... Para sempre!!!!

PS: Íamos escrever sobre os 50 anos do Ato Institucional nº 5, de 13 de dezembro de 1968, mas, como isso nos traz péssimas lembranças resolvemos apenas pontuar no sentido de que, aqueles que não viveram sob uma ditadura (e eu minha família vivemos) jamais sequer pensem em querer viver sob uma, jamais idolatrem ditadores, jamais façam apologias nesse sentido e muito menos de quem as defendem, sob qualquer pretexto.

Estivéssemos nós, nos dias de hoje debaixo do AI-5 com certeza estaria eu aqui escrevendo receita de bolo para vocês lerem.

A grande noite de terror do dia 13 de dezembro de 1968, com cassações, prisões, banimentos e claro, torturas, é fato para não esquecermos, para que não se repita, sob nenhuma hipótese.

Muita, mas muita gente arriscou e deu a própria vida para que tivéssemos a liberdade (ainda que tacanha) que temos hoje.

Muita, mas muita gente pegou em armas para lutar contra a repressão, pois não havia canais de diálogo e participação política no país; não havia chance de quem era contra a ditadura levar uma vida normal, como os outros, com emprego, estudo, etc.;


Muita, mas muita gente foi torturada e morreu sob tortura - e já tinha sido, anterior ao AI-5; outras, sofrem as sequelas das torturas vividas nos porões da ditadura (porões, na sua maioria, mas também havia muita tortura a céu aberto), para nos dar a liberdade e a democracia.

Muitas, mas muitas famílias não sabem aonde estão seus familiares, porque a ditadura fazia os desaparecer - torturava, matava e sumia com os corpos. Não tiveram sequer o direito sagrado de velar seus familiares.

Muitos, mas muitos também que sofreram as torturas e/ou foram mortos não tinham nada a ver com o que estava acontecendo. Nem sequer sabiam o que estava acontecendo; nem sequer tiveram um julgamento.

O passado é uma lição para se meditar, e não para se repetir, já se disse. Porque nosso passado é sempre manchado dessa maneira, pois estamos em evolução espiritual.

Voltar ao passado é retrogradar na evolução. Idolatrar torturadores, ditadores, ou quem faz apologia a estes tais é ser como eles; é descer ao nível deles; é defender a tortura e a ditadura, e isso não é humano, para dizer o mínimo. É sinal inconteste de baixeza espiritual.

Bem, vamos parando por aqui, neste ano de 2018, e esperamos estar de volta em janeiro de 2019, para comemorarmos os 50 anos do show no telhado...

Já viram uma banda de rock subir em cima de um telhado e tocar, bem no centro de Londres, e tocar para todos ouvirem? Bem, esta banda existiu... este show, também...

Que Jesus continue a iluminar a todos vocês! Um ótimo 2019 para todos nós, cheio de realizações espirituais!!!

Saudações beatlemaníacas e Decacampeoníssimas!!!!






 
Nunca deixe de rir e sorrir!!! Até breve!!!