quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

OPALA GRAN LUXO 1971: ADEUS!!!


Boa noite a todos, 

Depois de mais uma longa demora, voltamos. Acertos profissionais, mudanças que, certamente, hão de acarretar mais responsabilidades.

Deixar a Prefeitura de Guarulhos foi um marco em minha vida, daqueles de VIRAR A PÁGINA, mesmo! Lembro-me de ver a alegria nos olhos de minha mãe, quando soube que minha portaria de nomeação havia sido publicada e a cartinha de convocação finalmente esteve em suas mãos. Alguns meses depois, ela esteve mais no plano espiritual do que entre nós, para falar a verdade. Tal é o estado de coma, para o Espírito. O importante é que ela foi mais, digamos, SOSSEGADA, para lá: o último filho bem (naquela época, 1999, era "bem"... Já hoje...) empregado e iniciando curso superior...

Bem, deixemos a Prefeitura de lado - E NO PASSADO - para falarmos do assunto que nos traz novamente a este blog: O Opala!

Como todos que me conhecem já sabem, gosto deste modelo de automóvel desde pequeno e não sosseguei até adquirir um modelo... Bem, já estou no TERCEIRO, mas, o SEGUNDO merece uma blogagem especial, porque FEZ PARTE de muitas emoções nossas, durante os longos SEIS ANOS em que esteve comigo. E, como eu havia dito que um dia iria contar esta estória, de alguma forma, conto-lhes oportunamente, pois que ele JÁ NÃO É MAIS MEU.

Vamos lá.

Tudo começou no dia em que vi esse Opala em um site de vendas, lá na Biblioteca, numa de minhas "escapadas" do Museu. (sim, também trabalhei em um, que não era e não é, na verdade, um MUSEU, mas está mais para depósito de quinquilharias e FUNCIONÁRIOS MEQUETREFES, na concepção dos "ADMINISTRADORES" da cidade em questão).

A primeira sessão de fotos, depois da reforma: no meu antigo  local de trabalho: Centro Cultural "João Cavalheiro Salém"

Estava meio "órfão" por ter vendido meu 1979/80 (que foi o primeiro) e procurava, já a algum tempo, outro para ocupar o lugar da "garagem".

Foi aí que vi o TOPÁZIO DOURADO, 1971, teto com capota de vinil, câmbio na coluna de direção e, claro, 6cc! Tudo do jeito que eu queria... Olhei, olhei e vi que se tratava de um CLÁSSICO RARO, além de satisfazer meus desejos prementes.

O carro encontrava-se na cidade de Matão, aqui mesmo em São Paulo, a 350 km da Capital. Analisei e tomei a decisão: irei ver o carro. Liguei para o dono e perguntei absolutamente tudo, deixando apenas para ver o que tinha que ver.

Tirei um abono da Prefeitura, tracei planos da viagem e pus os pés na estrada. Um calor INSUPORTÁVEL, céu azul e... 5 HORAS DE VIAGEM...

Cheguei à citada cidade por volta do meio-dia, sol a pino. Cabeludo e barbudo, extremamente magro, as pessoas da cidade logo notaram que havia alguém diferente por lá... 

Maravilhoso, como sempre!

Havia combinado com o proprietário e ele foi buscar-me na rodoviária. Enfim, chegamos. Quando o vi, realmente não acreditei: o carro estava PÉSSIMO: cada parte dele estava pintada em uma cor diferente, calotas amassadas, sujas, pneus carecas, motor imundo, ou seja, UM LIXO. Sem falar na parte interna: bancos com espuma aparecendo, carpete desfiando, um horror...

Apesar de tudo isso, não me abalei e vi o que queria ver: o que realmente ele representava e o que ele tinha de melhor: Estava completamente original, com todos os detalhes, nota fiscal, chave original, manual, certificado de garantia, frisos, emblemas, etc.

Fiquei do meio-dia até as 15 horas olhando o carro. Por baixo estava IMPECÁVEL, o que denota não ser um carro muito usado. Andei com ele pela cidade e, ruas largas, asfaltadas, verdadeiros tapetes (parece que os prefeitos caipiras descobriram como se eleger e reelegerem-se, perpetuamente...Igualzinho a Pirassununga, que todos pensam que Prefeito bom é aquele que asfalta rua). Bem, lombada aqui, acolá e a suspensão batendo igual a bateria do JOHN BOHANN!!! E a direção, então, hein? O volante dava quase DUAS VOLTAS, com o carro parado!!! Zero de suspensão, zero de direção, zero de amortecedor - E O CARA GARANTIU-ME QUE O CARRO IA BEM PARA SÃO PAULO!!!

Coisa linda...

Não me fiz de rogado: emocionado por dirigir pela primeira vez um carro com câmbio na coluna de direção (sonho antigo!), voltei a São Paulo DECIDIDO A COMPRÁ-LO, mesmo sabendo que teria de reformá-lo por completo, quebrando a cabeça atrás de peças, bons profissionais, etc... E TUDO SEM GRANA!!!

Enrolei o vendedor pelo menos umas três semanas, ligando para ele e chorando descontos, e, claro, dando-lhe esperanças de que eu iria comprar o carro dele.

Desconto aqui, desconto ali, NEGÓCIO FECHADO. Era chegada a hora de viver FORTÍSSIMAS EMOÇÕES. 

Liguei para o Agnaldo - meu irmão - e expliquei a situação: marcamos um dia e fomos buscar o Opala. Exatamente o dia 20 de julho de 2006. Mais 350 km de estrada e calor... O Agnaldo levou UMA NAVE ESPACIAL de caixa de ferramentas, para qualquer imprevisto (na cabeça dele, PREVISTO!!!).

Ao chegarmos, quando ele viu o carro, e, num átimo, disse-me: você vai pagar isso por este lixo??? Eu disse "Claro! Já estamos levando!!!"

Entramos na casa do vendedor e os pais dele fez a gente almoçar com eles. Almoçamos e, novamente, MAIS UMA CHORADINHA, antes de irmos ao banco da cidade e concretizarmos o negócio. Fechamos e preparamo-nos para a viagem. Ganhamos uma lata de suco de laranja dos anfitriões, que coloquei no sujo porta-malas do Opala.

Observem o que PULSA, debaixo do capô... MOTORZINHO É COISA DE DENTISTA!!!

Enchi o tanque de combustível (é grana, hein?) e partimos, rumo a São Paulo.

Uma viagem pacata, tranquila e sonolenta, até que... A direção começa a TREMER. O Agnaldo "acorda". O carro joga a traseira de um lado, de outro. Eu simplesmente apus as mãos na direção. Pé direito no acelerador. Pé esquerdo, no Plano Espiritual. Deus no comando. Ultrapassagem. Caminhão. O pneu traseiro esquerdo estoura. O Agnaldo, de moreno, FICA BRANCO. O motorista do caminhão, também. Joga o seu caminhão para o lado. Reduz a velocidade. O Opala vai... Vai para o matinho do "acostamento". Para. O caminhão passa. O Opala fica. Pneu murcho. A mais ou menos CINCO METROS, uma BORRACHARIA. Vivos. E com dinheiro. Pneu careca "novo". Estrada. Deus no comando...


Detalhe do interior: última sessão de fotos, para venda....

Passamos. Fomos. Primeira (verdadeira) parada: Campinas. Abri o capô, para esfriar o motor e fomos descansar, um pouco, enquanto a tarde caía e o crepúsculo maravilhoso chegava. A partir daí , o Agnaldo foi para o comando e, quando chegamos em São Paulo, na marginal, pegamos um baita congestionamento, daqueles! Anda, para, anda para e... A GASOLINA ACABOU. É! NA MARGINAL...Posto? A apenas DOIS METROS de onde estávamos...

Enfim, deixei o Agnaldo na casa dele e fui para casa: saímos de Matão por volta das 14 horas e chegamos em São Paulo por volta das 22h!!!

Guardei o carro e comecei a SONHAR!!! Sim, vou reformá-lo, nas suas características originais! Bem, não vou contar-lhes como foi o processo, vocês devem imaginar...

No dia seguinte fui até um depósito de material de construção, aqui perto de casa e recebi a primeira oferta por ele...

De lá para cá, foram QUATRO CASAMENTOS: Gino, Monique (primos), Elizete (irmã) e, claro, o MEU... Subindo a Serra da Cantareira de Opalão... Foi só EMOÇÃO!!!

O dia mais feliz de nossas vidas... E lá estava ele, o Opala!

Sexta-feira, 7 de dezembro de 2012: Depois de uma LONGA negociação, com idas e vindas, neste dia calorento (a exemplo do dia em que eu o trouxe), o Opala voltava para o seu lugar: interior de São Paulo – Sorocaba.

Os novos compradores ficaram em êxtase, principalmente os filhos dele, que não viam a hora de vir buscar o carro. Pouco antes das 14h deixamo-los em frente ao Aeroporto Campo de Marte, perto do sambódromo, para que fosse embora com segurança. Foi a última vez que dirigi o topázio dourado (COM A MARLUCE, DO LADO), que, evidentemente, deixará em nós BOAS LEMBRANÇAS...

Foi embora...

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